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  • Luciana Garbini De Nadal

UM OLHAR PARA A SEXUALIDADE FEMININA: RUMO ÀS CRIANÇAS DO FUTURO

Atualizado: 26 de Mar de 2020

RESUMO

Reich acreditava na transformação de nossa sociedade através da intervenção precoce na formação dos indivíduos: a chave está na proteção do princípio vital presente nas crianças, para que estas se desenvolvam da maneira mais natural possível. Desta forma, se tornariam adultos saudáveis, capazes de construir um mundo melhor. Dentre os fatores fundamentais para pôr em prática este projeto de prevenção de neuroses está o trabalho de conscientização com os pais, em especial com a mãe, pois a forma como esta vivencia e dá significado à sua sexualidade influencia diretamente na formação da criança. A sexualidade feminina é um tema cheio de controvérsias na literatura quanto às suas particularidades. Além disso, as mulheres parecem não se dar o direito de conhecer suas reações sexuais, nem de explorar seus potenciais nesta área. Este artigo tem por objetivo analisar o quanto a vivência da sexualidade influencia a mulher no momento de ser mãe.


Palavras-chave: Crianças do Futuro. Maternidade. Potência Orgástica. Prevenção de neuroses. Sexualidade Feminina.


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Reich sempre teve um olhar para o social: as neuroses são criadas e mantidas pelos indivíduos através da sociedade. Os pais passam para os filhos seus padrões neuróticos de viver; estes passam para seus filhos e assim se reproduzem geração por geração formas doentias de ver e viver a vida. A maneira mais viável de quebrar esse ciclo vicioso é investindo na prevenção: intervindo desde cedo na formação de uma pessoa para que se desenvolva da forma mais natural possível, livre de bloqueios neuróticos paralisantes (REICH, 1983).

O ideal deste projeto, chamado por Reich (1983) de prevenção de neuroses, é trabalhar os pais desde o momento em que decidem ter filhos, a fim de não interferirem na capacidade autorregulatória natural das crianças, ou seja, que preservem na criança sua função natural de regular sua própria energia conforme suas necessidades. E para que haja esta consciência nos pais, é imprescindível que estes estejam relativamente livres de seus processos neuróticos; assim, terão a devida sensibilidade para perceber as necessidades das crianças. O estado emocional da mãe é um fator extremamente relevante no início da vida de uma criança, pois seu útero é o primeiro ambiente do ser que está se formando e chegando ao mundo (Volpi; Volpi, 2008). Neste estudo, trarei um entendimento da sexualidade feminina e analisarei sua importância na vivência de ser mãe dentro de uma proposta de prevenção de neuroses.

Reich (1993) chamou muito a atenção sobre os problemas causados pela insatisfação sexual, que é a fonte das neuroses: o neurótico não consegue se entregar ao livre fluxo de energia de seu corpo, em função de suas couraças. A couraça compreende uma tensão crônica da musculatura, como uma atitude de contração frente à vida. A meta da terapia reichiana é trabalhar nestes bloqueios, a fim de restaurar a capacidade que deveria ser natural da potência orgástica.

"Potência orgástica é a capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo" (REICH, 1993, p. 92).

Os indivíduos que perdem sua capacidade de funcionar de forma natural apresentam o que Reich (2003) chamou de “angústia orgástica”: quando deparados com uma quantidade grande de bioenergia em seu organismo, não conseguem suportar. O confronto com toda a potência da energia vital após tê-la mantido por toda a vida em condição de estase é assustador, podendo levar o indivíduo ao desespero e desorientação. Por isso, é necessário muito cuidado na terapia reichiana no processo de desencouraçamento, fazendo o indivíduo se acostumar aos poucos com o contato com todo o seu potencial.

Piontek (1998) também reforça a importância da sexualidade em nossa vida, pois é uma grande fonte de energia e de força espiritual, base da saúde, criatividade e meditação. A autora faz uma distinção entre a sexualidade das mulheres e a dos homens: estes têm seus órgãos genitais visíveis para o externo, o que denota a qualidade yang de sua sexualidade, enquanto que a energia sexual feminina é regida pelo princípio yin:

"A fonte da sexualidade da mulher encontra-se em sua essência mais íntima. Manifesta-se no silêncio e nas profundezas do ser. A parte principal dos órgãos sexuais femininos é invisível externamente. (…) Nossos órgãos sexuais se localizam num espaço protegido, encaixados em nosso colo" (PIONTEK, 1998, p. 90).

Conforme Piontek (1998), o corpo da mulher recebe o esperma masculino e abre espaço para o desenvolvimento de uma nova vida em seu interior: abertura e receptividade são qualidades do princípio yin. Além disso, este princípio diz respeito a um padrão de força interior e fragilidade exterior; por esse motivo, a mulher tem responsabilidade de desenvolver e conservar sua vida interior e exterior de forma equilibrada (Piontek,1998).

Já Stolkiner (2008) traz uma ideia de complementaridade entre mulheres e homens quanto às qualidades ativas e passivas. Em uma relação heterossexual onde há contato físico entre os genitais e os seios, o peito da mulher é considerado ativo energeticamente e o do homem passivo. Nos genitais ocorre o oposto: o homem é ativo, enquanto que a mulher é passiva, no sentido de receber o esperma e ser fecundada. Assim, se estabelece um círculo energético entre os parceiros através do peito e dos genitais alimentando a ambos. O peito está relacionado à função energética de nutrir. Os seios e o ato de amamentar mostram o quanto esta função se manifesta mais intensamente na mulher.

Apesar de afirmar haver vários centros sexuais na mulher, Piontek (1998) foca, em seu trabalho na sexologia, no ponto que considera mais importante: o chamado palácio celestial, localizado cerca de um palmo abaixo do umbigo, na mesma linha do útero. A partir disto, a autora valoriza muito o papel deste órgão na sexualidade: o útero é uma fonte muito grande de energia, que contém em si não só experiências pessoais, mas também informações coletivas que podem ser transmitidas de geração a geração. Conforme a autora, a compreensão, a receptividade, a gravidez e o parto são qualidades femininas que se originam no útero. Apesar disto, Piontek (1998) esclarece que o potencial sexual da mulher não deve ser relacionado apenas ao seu ciclo reprodutivo biológico, pois o útero é um local onde algo novo se desenvolve, que pode ser uma gravidez espiritual: “Faz parte da natureza feminina desenvolver a espiritualidade” (PIONTEK, 1998, p. 254). A autora afirma que mulheres que tiveram seus úteros removidos continuam com as energias e emoções relativas a este centro energético.

Piontek (1998) afirma que mulheres que se desconectam energeticamente de seu útero vivem uma vida superficial, e a forma de preencher o vazio sentido no útero é engravidando. Ter um filho acaba sendo a forma inconsciente que muitas mulheres acham para dar satisfação e significado à sua vida e à sua sexualidade. Observamos este fato em casais que acabaram engravidando em momentos de crise, em que a mulher se encontra insatisfeita sexualmente. A sensação de vazio na barriga desaparece enquanto estão grávidas, servindo o feto para preencher esse espaço. Este recebe pouco em troca, tendo que se desenvolver em um ambiente árido, frio, com pouca energia (LOWEN, 1979).

Ocorre uma subversão do relacionamento: estas mães buscam suprir suas próprias necessidades se envolvendo exageradamente com seus filhos; por não ter contato com seus corpos, buscam viver através dos corpos de outros (LOWEN, 1979). Sabendo que a função do útero é de sustentar e nutrir o bebê de forma fisiológica, emocional e energética, e que seu nível de energia determinará o nível de energia do embrião, podemos concluir que uma criança gerada nestas condições apresentará um registro de memória desta etapa de vida não tão satisfatória assim (Volpi; Volpi, 2008).

Portanto, é de fundamental importância que a mulher olhe para dentro de si quando pensar em ter um filho, a fim de analisar se é uma tentativa de preencher um vazio próprio, de cumprir um papel esperado na sociedade da mulher ou se o desejo é fruto de seu sentimento de amor, de querer dar vida. O princípio feminino diz respeito ao encontro da satisfação profunda dentro de si mesmo e não focando no exterior. Porém a repressão da sexualidade bloqueia este processo, prejudicando a identificação do ego com o corpo, trazendo uma consciência muito limitada de si mesmo.

A qualidade da pulsação energética durante o abraço genital de um homem e de uma mulher influenciará o processo de superposição celular e de iluminação orgonótica, aumentando a excitação bioenergética e permitindo o processo de mitose celular. As células sexuais são ativas e tem uma função germinativa, o que provavelmente as confere um campo energético maior no organismo. Como as glândulas sexuais são influenciadas pelas emoções, este campo apresenta variações conforme o estado energético da mãe. A superposição germinal do feto faz com que aumente a carga energética da mãe, intensificando seu desejo sexual e sua possibilidade de entrega no orgasmo, o que aumenta, por sua vez, a pulsação de seu organismo e o do bebê. O feto se encontra em estado de nirvana no útero, recebendo tudo o que precisa através do cordão umbilical (PINUAGA; SERRANO, 1997).

Em um útero que pulsa livremente, a circulação de sangue nos fluídos do corpo são mais completos, fazendo com que o metabolismo da energia seja mais eficiente. Esta capacidade de carga nos tecidos maternos é passada ao embrião. O embrião participa das contrações orgásticas do útero da mãe durante o ato sexual, assim como experimenta naturais contrações de desenvolvimento. Portanto, as crianças filhas de mães orgasticamente potentes são mais vivas, experimentando contrações orgásticas independentes e se tornando adultos mais saudáveis (REICH, 1983).

As mulheres que não desenvolveram a potência orgástica terão mais dificuldades no momento do parto, pois é necessário uma atitude de entrega com o consequente relaxamento corporal para que o bebê consiga passar pelo canal vaginal. De acordo com Baker (1980), a dor no parto só ocorre em função do bloqueio do segmento pélvico da mulher que impede a entrega do feto às contrações. Este segmento é a zona de descarga energética no processo de regulação bioenergética. Se a mulher está tensa, sua musculatura se contrai, a respiração fica curta e superficial, o que a deixa em um estado mais tenso ainda, com a ativação do sistema simpático.

Conforme Pinuaga e Serrano (1997), cada estrutura de caráter tenderá a vivenciar um tipo de parto. A mãe com estrutura psicótica tenderá a um parto prematuro, a um aborto ou a um parto “diarréico”: a criança sai com grande facilidade em função da falta de contato da mãe com o ato de parir e sua falta de tônus muscular. A mulher com estrutura borderline tenderá a um processo de parto atrasado, demorado, com uma dilatação difícil, patológica, que exigirá intervenção médica como a cesariana, e acarretará sofrimento fetal. Já a mulher com estrutura de caráter neurótico terá mais chances de parir tranquilamente, e os problemas que podem ocorrer são: medo do momento de expulsão do feto, dores nas contrações, tensões corporais, cansaço, mas também há possibilidade de prazer com a liberação das correntes genitais no momento da expulsão.

Já as mães com uma boa quantidade de traços genitais, cujas couraças estão brandas, conseguem relaxar e se entregar na hora do parto, relatando uma sensação de regozijo, poder, bem-estar e muitas vezes até um leve êxtase durante o trabalho de parto: “O nascimento, se não é traumático, pode ser sentido pela mãe e pela criança como um orgasmo” (BOADELLA, 1992, p. 165).

O parto diz respeito a uma passagem entre dois mundos, um momento de morte para o feto. Para o feto, o canal vaginal é como um buraco negro, um escoadouro por onde se morre para a vivência uterina: “O nascimento, a morte e o orgasmo envolvem interações de fronteiras, de limites” (BOADELLA, 1992, p. 165). Nestas três situações, aponta Stolkiner (2008), ocorre uma dissolução do limite do organismo com o mundo, acompanhada de uma dissolução da nossa identidade. A energia, então, vai para a periferia do corpo, da qual os genitais fazem parte. Neste processo, ocorre a chamada por Reich (2003) de superposição cósmica: quando dois sistemas orgonóticos são levados a se superpor por uma força que está além de seu controle. Esta fusão de organismos é observada no abraço genital dos amantes, quando este ocorre livre dos impedimentos das couraças e em outras interações, como duas crianças brincando em um estado de entrega aos seus corpos. É um evento transindividual, em que há um contato bioenergético pleno e uma consequente sensação de prazer.

Gutman (2010) afirma que esta irrupção no mundo físico que é o nascimento gera sentimentos muito intensos. No parto, o corpo físico da mãe deve se abrir para deixar passar o feto, porém há outro rompimento também, que se realiza em um plano mais sutil e é relacionado ao emocional: há uma desestruturação, uma quebra, transformando o “ser um” em “ser dois”.

Podemos perceber a intensidade desta experiência, por isso o parto não deveria ser considerado um procedimento da medicina, mas sim, um momento pertencente à natureza da mulher, afinal esta é o principal agente deste grande acontecimento. Conforme Gutman (2010), o nascimento de um filho é uma experiência não apenas material, mas também mística: talvez o momento mais importante da sexualidade feminina. Como já referido, porém, isto não significa que toda a mulher deva se tornar mãe: esta deve ser uma escolha livre e feliz advinda de um desejo natural de dar vida (PINUAGA; SERRANO, 1997).

Por ser um fato sexual, o parto deve ser vivido de forma respeitosa, íntima, de acordo com os desejos e a subjetividade da mulher. Gutman (2010) chega a afirmar que há um rompimento espiritual no parto, com a passagem para outra dimensão, o que sugere o quão forte é esta experiência, atingindo todos os níveis do ser mulher-bebê. É uma viagem ao desconhecido, ao limite imaginário entre a vida e a morte, em que a mulher deve se atirar.

Segundo Gutman (2010), o parto, assim como a lactância, é uma oportunidade para que a mulher se conecte com os seus aspectos naturais, animais e selvagens de seu ser essencial. A mãe e seu bebê estão em uma atmosfera de sexualidade, exuberância, aromas, sangue, leite, fluidos. Ao se submeter às regras sociais, ao intelecto e ao ego, em detrimento de seus instintos e de sua intuição, a mulher enfraquece, se sente perdida. A energia sexual é a energia da vida e, portanto, tem uma força muito grande; quando bloqueada, em função da repressão vinda da sociedade e reproduzida na família, ocorre uma diminuição da circulação de energia do organismo e uma consequente falta de contato consigo mesma e com seu corpo. Há na mãe um instinto de satisfação das necessidades vitais do recém nascido que coloca a mulher em um estado de contínua resposta às demandas do bebê; é um funcionamento biológico-visceral, emocional-límbico e psíquico-cortical para facilitar o cuidado com a prole. A falta de contato com seu próprio corpo prejudica esta função na mãe (PINUAGA; SERRANO, 1997)..

Há um temor nas pessoas deste contato com o seu aspecto animal, em função de toda a repressão que o natural sofre em nossa sociedade. Por outro lado, a conexão com o selvagem traz saúde, sabedoria, intuição, inspiração, vitalidade e equilíbrio espiritual; a pessoa se sente íntegra. As pessoas querem dar conselhos às mães, porém, o importante é que estas sigam suas intuições através desta ligação tão intensa com o bebê. Não é necessário regras, nem horários, nem métodos para saber dar de mamar, desde que a mulher esteja conectada com esta natureza selvagem, com seu princípio vital (GUTMAN, 2010).

A mulher não pode separar totalmente seus sentimentos em relação ao filho dos sentimentos em relação ao ato que o gerou: sua maneira de sentir e vivenciar a sexualidade determinará sua vivência como mãe e suas atitudes com a criança. Uma mãe consciente permitirá o desenvolvimento natural da criança (LOWEN, 1979).

A capacidade de entender a expressão emocional da linguagem do bebê depende diretamente da qualidade do contato orgonótico deste com sua mãe. Se o organismo desta é livre e emocionalmente expressivo, ela será mais sensível às necessidades da criança. A boca e a garganta do bebê são os locais com maior carga bioenergética e buscam gratificação imediata. Quando a mãe tem uma boa capacidade pulsatória orgonótica há uma sensação sexual no encontro fusional entre ambos os organismos no ato da amamentação. A excitação orgonótica do bico do seio ereto torna-se uma só com a excitação da boca do bebê. “Quando a mãe responde ao seu filho, é vivenciado um profundo amor, acompanhado de sensações genitais” (BAKER, 1980, p. 281). Neste encontro, o bebê pode experimentar um orgasmo oral, autorregulando sua energia. Porém, nesta relação oral a mãe não vivencia uma descarga orgástica como na relação genital. Por isso, é importante manter relações sexuais com o parceiro a fim de se autorregular e não ficar com energia em excesso em seu organismo (REICH, 1983; PINUAGA; SERRANO, 1997).

“Todo contato de prazer entre dois corpos desencadeia sensações amorosas” (LOWEN, 1990, p. 21). Quando a criança sente o ambiente ao seu redor acolhedor, o sangue e os fluidos corporais se movem para a superfície do corpo na busca de contato, de proximidade. É o movimento do prazer e do amor em nosso organismo, pois amar é se sentir ligado.

Podemos dizer que a sexualidade da mãe não só influencia o desenvolvimento de seu filho, como muito mais: é fator determinante no futuro desta nova vida. A criança habita o organismo materno e se nutre de sua energia de vida, ou seja, de sua energia sexual por muitos anos, enquanto vai se fortalecendo a fim de se tornar um indivíduo independente. As experiências passadas pela criança durante todo o processo de desenvolvimento emocional deixam marcas e moldam o seu caráter. A vivência da maternidade faz com que a mulher se depare com velhas feridas de sua própria história, por isso é necessário que ela esteja consciente, a fim de não reproduzir padrões neuróticos na relação com seu filho e que permita que ocorra um desenvolvimento natural.

As dificuldades passadas pelo animal humano se originam da desconexão com a natureza, com o princípio vital presente em todos, mas que permanece adormecido em função de toda a repressão perpetuada de geração a geração. Para mudar esta situação, é preciso provocar uma transformação radical em nossa sociedade, cortando o ciclo vicioso neurótico. Em nosso mundo as qualidades masculinas – atitude, fazer, extroversão, esforço – são muito mais valorizadas do que as qualidades femininas, como receptividade, ser, interiorização, sensibilidade. Nisto, os processos e ciclos próprios do princípio feminino não recebem a atenção adequada. Assim, eventos importantíssimos como o nascimento de uma criança são tratados como eventos quaisquer, de forma mecanicista. Após parirem, muitas mães buscam voltar logo ao trabalho a fim de não perder seu emprego, tendo que interromper seu estado de profunda conexão com seu filho.

Reich percebeu a importância deste período tão primordial de nossa existência e tentou revolucionar o mundo através de um projeto de prevenção de neuroses, pois só assim é possível criar indivíduos saudáveis que mudem para melhor nossa sociedade. Porém ele foi esmagado pela peste emocional daqueles que estavam no poder. Reich acreditou que cinquenta anos após sua morte o mundo estaria mais preparado para suas ideias revolucionárias. Chegou o momento, então, de levarmos suas descobertas adiante, informando às pessoas sobre a importância de resgatarem sua capacidade natural de autorregulação – a potência orgástica –, a fim de terem consciência ao lidar com um organismo tão vulnerável e sensível quanto o de uma criança. Além disso, é de suma importância que principalmente as mulheres conheçam e valorizem o princípio feminino em suas vidas e o transmitam às futuras gerações para que o mundo se torne mais sensível e receptivo – qualidades das quais todos nós carecemos.


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Referências

BAKER, E. O Labirinto Humano: As causas do bloqueio da energia sexual. São Paulo: Summus, 1980.

BOADELLA, D. Correntes da Vida. Uma introdução à Biossíntese. 2ª ed. São Paulo: Summus, 1992.

GUTMAN, L. A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra. São Paulo: Best Seller, 2010.

LOWEN, A. Amor, Sexo e seu Coração. 3ª ed. São Paulo: Summus, 1990.

LOWEN, A. O Corpo Traído. 7ª ed. São Paulo: Summus, 1979.

PINUAGA, M.; SERRANO, X. Ecología Infantil Y MaturaciónHumana. Valencia: Publicaciones Orgón, de La Escuela Española de Terapia Reichiana ES.TE.R), 1997

PIONTEK, M. D. Desvendando o Poder Oculto da Sexualidade Feminina. São Paulo: Cultrix, 1998.

REICH, W. A Função do Orgasmo. Problemas econômico-sexuais da energia biológica. 10ª ed. São Paulo: Círculo do Livro, 1993.

REICH, W. Deus, Éter e o Diabo. Seguido de A Superposição Cósmica. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

REICH, W. Children of the Future. On the prevention of sexual pathology. 1st ed. New York: Farrar, Straus Giroux, 1983.

STOLKINER, J. Abrindo-se aos Mistérios do Corpo. Seminários de Orgonomia. Porto Alegre: Alcance, 2008.

VOLPI, J. H.; VOLPI, S. M. Crescer é uma Aventura! Desenvolvimento emocional segundo a Psicologia Corporal. 2ª ed. Curitiba: Centro Reichiano, 2008.


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Artigo apresentado para a conclusão do Curso de Especialização em Psicologia Corporal do Centro Reichiano / PR e apresentado no 18º Congresso Brasileiro de Psicoterapias Corporais. Disponível nos Anais do congresso no site do Centro Reichiano no seguinte endereço:

http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Anais_2013/DE_NADAL%2c%20Luciana_Garbini_VOLPI_Sandra_Um_olhar_para_a_sexualidade.pdf


AUTORES

Luciana Garbini De Nadal / Porto Alegre / RS / Brasil

Psicóloga formada pela UFRGS (CRP 07/16819), Especialista em Psicologia Corporal – Centro Reichiano / PR, Terapeuta de EMDR, terapeuta de Brainspotting avançado, Formação em Orgonomia Aberta (Stolkiner). Massagens Bioenergéticas (Ralph Viana). Meditações Ativas.



ORIENTADORA

Sandra Mara Volpi/PR – CRP-08/5348 – Psicóloga, Analista Bioenergética (CBT) e Supervisora em Análise Bioenergética (IABSP), Especialista em Psicoterapia Infantil (UTP) e Psicopedagogia (CEP-Curitiba), Mestre em Tecnologia (UTFPR), Diretora do Centro Reichiano, em Curitiba/PR.




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