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  • Luciana Garbini De Nadal

GRUPOS DE VIVÊNCIAS EM PSICOLOGIA CORPORAL

Psicologia Corporal é entendida aqui como a ciência que estuda as manifestações comportamentais e energéticas do corpo sobre a mente e da mente sobre o corpo; ou seja, é um processo somatopsicodinâmico (Volpi, 2005). Ela teve suas raízes em Wilhelm Reich, ex-colaborador de Sigmund Freud, que desenvolveu a técnica da vegetoterapia caracteroanalítica.

Alexander Lowen partiu dos ensinamentos recebidos de Reich e criou sua própria técnica terapêutica. A bioenergética é uma abordagem que ajuda o indivíduo a recuperar o contato com seu corpo, incluindo aí, as funções de respiração, movimento, sentimento, auto-expressão e sexualidade. Seu objetivo é fazer o individuo retomar a sua natureza primária, que compreende a liberdade, graça e beleza, resultando em um corpo e em uma mente saudável e desenvolvendo no indivíduo a capacidade de amar (Lowen, 1982).

Lowen enfatiza muito a importância de o indivíduo desenvolver a capacidade de se auto-expressar. A bioenergética trabalha muito com exercícios respiratórios, com movimentos, com expressão dos sentimentos até então inconscientes. Ela busca “(...) aumentar o nível de energia do indivíduo, liberar a sua auto-expressão e restaurar o fluxo de sentimentos do seu corpo” (Lowen, 1982, p. 44); faz com que o indivíduo abra seu coração para a vida e para o amor.

Um dos dogmas da bioenergética é de o indivíduo ter consciência de seu corpo. Esta é a única maneira de descobrir quem ele é. Se ele não está atento a seu corpo, é porque há um medo de experimentar certos sentimentos. Se estes têm caráter ameaçador, geralmente são suprimidos através de tensões musculares crônicas. Essas tensões impedem que o fluxo de energia passe livremente nas áreas que poderiam trazer esses sentimentos à tona. Dessa maneira, o estado de excitação corporal e a capacidade de concentração da mente diminuem. Diz o autor: “Uma pessoa é a soma total das suas experiências de vida, cada uma das quais é registrada na sua personalidade e estruturada em seu corpo”. (Lowen, 1982, p. 50).

Saúde vibrante, respiração, grounding, carga e descarga de energia, movimento livre e espontâneo são conceitos usados na Análise Bioenergética. Esta técnica busca a integração entre corpo, mente e espírito (Lowen,1982).

O terapeuta bioenergético analisa não só os problemas psicológicos do individuo, mas também a expressão física destes problemas, conforme eles vão se manifestando na estrutura corporal e nos movimentos do paciente. A bioenergética parte dos movimentos voluntários para despertar os involuntários e assim faz o paciente acessar relações primárias e os sentimentos inconscientes enraizados na memória corporal desde a infância (Lowen, 1982). Ate mesmo pessoas que não tenham uma queixa clínica podem se beneficiar da bioenergética para momentos de crise, para se tornar mais saudável, aprofundar seu autoconhecimento ou para aumentar sua energia, sua alegria de viver, sua criatividade, melhorar sua sexualidade.

A Psicologia Corporal e as meditações ativas desenvolvidas por Osho são abordagens que seguem princípios semelhantes e podem ser utilizadas conjuntamente na busca de crescimento pessoal. Os autores têm visões parecidas quando falam do quanto as pessoas estão sem contato com o próprio corpo. Nossa sociedade valoriza muito o aspecto mental e material, considerando o corpo, as sensações, os sentimentos como algo sem muita importância. De acordo com Osho: “Quanto mais civilizado o homem se torna, menos contato tem com seu próprio corpo. O contato perdeu-se: por isso o corpo é tão tenso” (Osho, 1997, p. 61). Ambas as abordagens trabalham para que o indivíduo volte a ter consciência de seu corpo. As meditações ativas também se utilizam de técnicas de expressão corporal, dança, respiração, movimentos, sons, a fim de trazer à consciência conteúdos inconscientes e restaurando o livre fluxo energético do corpo, liberando as tensões musculares. Há uma ênfase em ambas as abordagens na auto-expressão, de maneira que todos os sentimentos sejam aceitos e expressos. Com a liberação desses sentimentos, há uma sensação de plenitude, de integridade. Assim, abre-se espaço ao prazer, ao relaxamento, à criatividade, ao sentimento de amor, qualidades que estavam até então “soterradas” por camadas de sentimentos reprimidos e não aceitos. “O prazer e a satisfação são, como tenho dito, o resultado imediato das experiências de auto-expressão” (Lowen 1982, p. 43). Além disso, a consciência do indivíduo se expande e todo o seu potencial se torna disponível, o que Osho chamou de florescimento interno (Osho, 1997). “A vida do corpo é sentimento: sentir-se vivo, vibrante, bem, excitado, furioso, triste, alegre e, finalmente, contente” (Lowen 1982, p. 61).

Os grupos em Psicologia Corporal podem ser vistos como jogos. O jogo é uma atividade muito presente na história do homem, desde tempos imemoriáveis. Através dele, o homem se comunica, antes apenas com gestos, movimentos, expressões corporais – como acontece com crianças pequenas – e só depois surge a palavra. Nos jogos reeditamos, simbolizamos experiências vividas, tomando consciência de nossos sentimentos e os elaborando, se libertando de traumas e emoções que estavam guardadas dentro de nós.

Temos observado que as práticas corporais aplicadas a grupos permitem ao participante a interação com outras pessoas, desenvolvendo a capacidade de relacionamento interpessoal e de se comunicar com clareza. Podemos compartilhar nossas vivências, aprender ouvindo o ponto de vista do outro, suas experiências de vida. Aprendemos a fazer contato mais profundo com outra pessoa e a expressar nossos sentimentos de maneira espontânea, mas com responsabilidade, respeitando o espaço do outro.

Em nosso trabalho com grupos, utilizamos principalmente a vegetoterapia caracteroanalítica, a bioenergética e as meditações ativas, pois são abordagens que se complementam na busca do resgate da espontaneidade, da criatividade que muitas vezes perdemos ao nos tornar adultos. Entramos em contato com nossa criança e com sentimentos profundos em um espaço acolhedor onde o participante se sinta seguro em expressá-los. Experimentamos, assim, uma sensação de maior liberdade, consciência e vivacidade.



REFERÊNCIAS

LOWEN, Alexander. Bioenergética. 5ª ed. São Paulo: Editora Summus Editorial, 1982.

OSHO. Meditação: A Arte do Êxtase. 12ª Ed. São Paulo: Editora Cultrix LTDA, 1997.

VOLPI, José Henrique. O paciente depressivo sob a ótica da psicologia corporal. Curitiba: Centro Reichiano, 2005. Disponível em: <www.centroreichiano.com.br/artigos.htm>. Acesso em: 20.agosto.2011.

VOLPI, J. H.; VOLPI, S. M. Dinâmicas da Psicologia Corporal aplicadas a grupos. 2ª ed. Curitiba: Centro Reichiano, 2008.



AUTORA


Luciana Garbini De Nadal / Porto Alegre / RS / Brasil

Psicóloga formada pela UFRGS (CRP 07/16819), Especialista em Psicologia Corporal – Centro Reichiano / PR, Terapeuta de EMDR, terapeuta de Brainspotting avançado, Formação em Orgonomia Aberta (Stolkiner). Massagens Bioenergéticas (Ralph Viana). Meditações Ativas.

E-mail: lucianagarbinidenadal@gmail.com


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